Tuesday, July 15, 2008
Tuesday, May 27, 2008
Mazaaaaaaaaaaa

Aí tá a prova da minha primeira participação em uma maratona oficial. Ok, é só uma medalha de pariticipação e foram só 5,25 km. Mas foi bem divertido e deve ser a primeira de muitas. Ou eu corro 10 km na próxima, ou volto a correr na equipe de revezamento, com o compromisso de diminuir o meu tempo – que foi de 33 minutos nesta edição.
Friday, May 16, 2008
Dias de chuva
Às vezes uma onda de fracassos e tristezas lá das profundezas de outros instantes incomodam o presente comum. Mais ou menos como aquele braço, perna, dedinho do pé quebrado há anos e que dói em dia de chuva.
Tuesday, May 13, 2008
...
Na cama de hospital, chorava aquela que se achava boba por ter acreditado
No meio de tubos e da consciência quase infantil, a mente senil acredita para, em segundos, desacreditar
No chão do quarto, com a foto da mãe na mão e um tiro na cabeça, a desistência de todas as crenças
No meio de tubos e da consciência quase infantil, a mente senil acredita para, em segundos, desacreditar
No chão do quarto, com a foto da mãe na mão e um tiro na cabeça, a desistência de todas as crenças
Thursday, April 24, 2008
balaião
E não é que meu exame de colesterol deu bem mais baixo do que o anterior?
lálárilálá
frituras e chocolates do mundo que me esperem.
opa, esperem mais um pouco. na verdade, dia 25 de maio eu tenho que correr 5km pela Maratona de Revezamento Braskem. "Isso dá uns 40 minutos", disse um dos treinadores, "sem querer te assustar"
Me assustar? Assusta nada. Falta um mês para a corrida e eu ATÉ já corro 10 minutos, sem precisar parar para alguns passos de caminhada.
tem coisas bem mais apavorantes nesse mundo. tipo querer muito se formar fim do ano e não surgir nenhuma luz sobre a monografia.
sugestões abaixo, por favor
lálárilálá
frituras e chocolates do mundo que me esperem.
opa, esperem mais um pouco. na verdade, dia 25 de maio eu tenho que correr 5km pela Maratona de Revezamento Braskem. "Isso dá uns 40 minutos", disse um dos treinadores, "sem querer te assustar"
Me assustar? Assusta nada. Falta um mês para a corrida e eu ATÉ já corro 10 minutos, sem precisar parar para alguns passos de caminhada.
tem coisas bem mais apavorantes nesse mundo. tipo querer muito se formar fim do ano e não surgir nenhuma luz sobre a monografia.
sugestões abaixo, por favor
Wednesday, April 16, 2008
Caso Nardoni
No Jornal Nacional de segunda-feira, foi anunciado desde o primeiro bloco que a equipe tinha conseguido em primeira mão trechos dos depoimentos de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, ambos suspeitos de terem matado Isabella Nardoni, filha de Alexandre e enteada de Anna.
Pois bem, o jornal anunciou a cada bloco a informação privilegiada, revelando-a apenas no final.
Só não me senti mais frustrada porque a gente só se desilude quando se deixa iludir. O que não é o caso quando se fala em cobertura policial da imprensa.
Contra todas as máximas de que o sujeito é inocente antes de tudo, Alexandre e Anna já foram julgados e condenados. Depois de tanto sensacionalismo, alguém consegue imaginar essas pessoas esperando julgamento em liberdade, por exemplo, no caso de a justiça entender que elas devam ser indiciadas, como tudo indica?
Fico imaginando que os familiares da mãe da garota, se tiverem o mínimo de bom senso, devam ter desligado TVs e desconectado a internet. Infográficos de última tecnologia proliferam em sites e canais televisivos mostrando como Isabella pode ter morrido, onde se quebrou, onde se cortou, como foi jogada: de cabeça para baixo ou pelos braços?
Qual o propósito de tudo isso? Ajudar a encontrar a verdade? Quem ajuda a procurar a verdade se basearia só no que dizem os promotores e a polícia? Parece-me evidente que não.
Pois bem, o jornal anunciou a cada bloco a informação privilegiada, revelando-a apenas no final.
Só não me senti mais frustrada porque a gente só se desilude quando se deixa iludir. O que não é o caso quando se fala em cobertura policial da imprensa.
Contra todas as máximas de que o sujeito é inocente antes de tudo, Alexandre e Anna já foram julgados e condenados. Depois de tanto sensacionalismo, alguém consegue imaginar essas pessoas esperando julgamento em liberdade, por exemplo, no caso de a justiça entender que elas devam ser indiciadas, como tudo indica?
Fico imaginando que os familiares da mãe da garota, se tiverem o mínimo de bom senso, devam ter desligado TVs e desconectado a internet. Infográficos de última tecnologia proliferam em sites e canais televisivos mostrando como Isabella pode ter morrido, onde se quebrou, onde se cortou, como foi jogada: de cabeça para baixo ou pelos braços?
Qual o propósito de tudo isso? Ajudar a encontrar a verdade? Quem ajuda a procurar a verdade se basearia só no que dizem os promotores e a polícia? Parece-me evidente que não.
Thursday, April 10, 2008
Saturday, March 15, 2008
...
Baita matéria a da Eliane Brum e da Solange Azevedo, com colaboração de Renata Leal, publicada na edição de 11 de fevereiro da revista Época. A pauta é a própria morte planejada do garoto gaúcho de 16 anos, ocorrido em julho de 2006. Falar de suicídio, no caso de um garoto que se matou com a ajuda de internautas, não pode e nem deve ser tabu. Nada foi feito contra as pessoas que o incentivaram a cometer suicídio, porque as leis e fiscalização "virtual" no Brasil ainda são muito "frágeis".
Mas o que mais me impressionou mesmo foram os comentários no blog do jornalista Pedro Doria, que linka a matéria da revista. Onde foi parar a humanidade das pessoas? Opiniões medíocres, de pessoas que se consideram inteligentes. Fico impressionada com a quantidade de sujeitos que acreditam que os suicidas não passam de exibicionistas.
Eu já passei, há bastante tempo, por uma fase de sentimentos muito ruins. Cheguei a comentar com uma pessoa próxima e querida que se eu tivesse que escolher que ela sofresse o que eu passava ou alguma dor física, optaria sem pestanejar pela segunda. Eu relembrei um pouco de todo esse tempo quando li a matéria. Talvez a mais viva das lembranças que eu tenha tido desde então. É algo inexplicável. Afinal, quem consegue compreender que viver pode se tornar uma dor tão intensa, sem rotular de melodramático, de exibicionista, de egoísta? Digo o clichê: só compreende quem já passou por isso...
Mas o que mais me impressionou mesmo foram os comentários no blog do jornalista Pedro Doria, que linka a matéria da revista. Onde foi parar a humanidade das pessoas? Opiniões medíocres, de pessoas que se consideram inteligentes. Fico impressionada com a quantidade de sujeitos que acreditam que os suicidas não passam de exibicionistas.
Eu já passei, há bastante tempo, por uma fase de sentimentos muito ruins. Cheguei a comentar com uma pessoa próxima e querida que se eu tivesse que escolher que ela sofresse o que eu passava ou alguma dor física, optaria sem pestanejar pela segunda. Eu relembrei um pouco de todo esse tempo quando li a matéria. Talvez a mais viva das lembranças que eu tenha tido desde então. É algo inexplicável. Afinal, quem consegue compreender que viver pode se tornar uma dor tão intensa, sem rotular de melodramático, de exibicionista, de egoísta? Digo o clichê: só compreende quem já passou por isso...
Monday, March 10, 2008
Upgrade
Quem disse que a Igreja Católica não se renova? Em tempos de aquecimento global, de o crack fazendo o pó branco virar brinquedo de criança e de pesquisas com células-tronco dividindo opiniões mundo afora, o que decidiu o Vaticano? Atualizar a lista de pecados capitais para adaptá-la à "realidade da globalização".
Junto ao sete conhecidos pecados – gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça – temos agora a manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social e a poluição ambiental. Vejam só...
Junto ao sete conhecidos pecados – gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça – temos agora a manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social e a poluição ambiental. Vejam só...
Friday, February 29, 2008
Thursday, January 31, 2008
Cine Paradiso
Já nem lembro mais quantas vezes vi Cinema Paradiso. E toda, mas toda vez, eu juro, eu choro de soluçar. Acho que eu nunca vi nada mais belo no cinema. Não tô falando de fotografia, de efeitos, de belos atores. São sentimentos simples, inocentes, levados sempre por uma música fantástica. A trilha do Enio Morricone para esse filme é aquela que me faz entender para que serve realmente uma trilha sonora.
Mas a verdade mesmo é que o filme toca em meu ponto fraco: o Alfredo. O personagem me faz lembrar todo o carinho que eu tenho pelos mais velhinhos...
Mas a verdade mesmo é que o filme toca em meu ponto fraco: o Alfredo. O personagem me faz lembrar todo o carinho que eu tenho pelos mais velhinhos...
Tuesday, January 29, 2008
Aos poucos eu admito a breguice que reside em mim
Me deu vontade e hoje eu baixei The Way You Look Tonight, do Frank Sinatra. Brega isso, mas deu uma vontade enorme de dançar pelo menos uma vez na vida essa música.
Friday, January 18, 2008
Eu não sei o que eu fiz nos verões passados...
Tá bom, para não parecer tão anti-social, vou fazer o tal meme que a Vanessa me passou. Tempos atrás, ela já havia me passado um e eu passei batido. É para responder: o que você estava fazendo no verão de...
1978
hummm... ainda não era nascida
1983
hummm... ainda não era nascida
1988
hummm... ainda não era nascida
opa, não colou, né? tá bom... recomecemos
1978
Tá, eu juro que não era nascida! Mas bem que ia ser legal, né? Nem precisava ser em 78, poderia ser aos 45 do segundo tempo de 79. Só para não ser ridicularizada por uma parcela da sociedade que acham os anos 80 rédiculos! Por que tamanha discriminação? só porque as pessoas usavam ombreiras, blushs rosas e cintos de plástico coloridos?
1983
Bah, verão de 83! Três anos, meu primeiro namorado, o Jôrique (João Henrique, na língua infantil, para quem não sabe). Acampamento em Santa Catarina com a família. A aventura rendeu um dos traumas que sobrevivem até hoje: não saber nadar. Caí na piscina de um clube e lembro até hoje de como é tentar respirar e enxergar embaixo d'água.
1988
Não lembro exatamente, mas é bem provável que tenha sido um dos últimos verões na casa do vô e da vó, em Tramanda Beach. HA! Lembro que, à noite, tinha medo de encontrar tubarões na praia no outro dia... criança tem cada uma... E, droga, nessa época, provavelmente meu peixe vermelho já não existia mais. Não perguntem que peixe vermelho, oras! Isso é puro fingimento. Todo mundo teve um peixe vermelho que vinha com paradinhas de brincar na areia.
1993
O verão dos meus 13 anos. Não fui para à praia. Fiquei no forno insuportável de Porto Alegre, esperando minhas melhores amigas da época, Natália e Renata, voltarem do Cassino e de Capão da Canoa, respectivamente. HA, lembro que trocava cartas com elas. Cartas! É, internet nem pensar. O lance era os Correios mesmo, e aquelas fichas metálicas de telefone.
1998
Ah... o verão de 98! Decepcionei pessoas, me apaixonei por outras. Fui no Planeta Atlântida e vi um dos últimos shows de Tim Maia antes dele morrer. Voltamos em um grupo, a pé, para a casa da Bia em Atlântida Sul. QUATRO HORAS de caminhada na chuva! Os pais da Bia não gostaram muito, mas enfim, foi tudo beeeeem diver.
2003
Meu primeiro vestibular depois que voltei de Londres e que decidi largar a engenharia de materiais. Não passei, por sorte. Imagina, tinha me inscrito para publicidade. Fora isso, nada memorável, apenas umas cagadas amorosas, ou seja, coisas (des)memoráveis.
2008
Mais um verão a trabalho. Para quê ir pra praia, quando se pode aproveitar a "frescura" e a solitude em Porto Alegre? Esse lance de praia dá micose e mancha a pele, né, Chaveirinho?
Esses memes tem que passar adiante, né? Ah, faz todo mundo aí!
1978
hummm... ainda não era nascida
1983
hummm... ainda não era nascida
1988
hummm... ainda não era nascida
opa, não colou, né? tá bom... recomecemos
1978
Tá, eu juro que não era nascida! Mas bem que ia ser legal, né? Nem precisava ser em 78, poderia ser aos 45 do segundo tempo de 79. Só para não ser ridicularizada por uma parcela da sociedade que acham os anos 80 rédiculos! Por que tamanha discriminação? só porque as pessoas usavam ombreiras, blushs rosas e cintos de plástico coloridos?
1983
Bah, verão de 83! Três anos, meu primeiro namorado, o Jôrique (João Henrique, na língua infantil, para quem não sabe). Acampamento em Santa Catarina com a família. A aventura rendeu um dos traumas que sobrevivem até hoje: não saber nadar. Caí na piscina de um clube e lembro até hoje de como é tentar respirar e enxergar embaixo d'água.
1988
Não lembro exatamente, mas é bem provável que tenha sido um dos últimos verões na casa do vô e da vó, em Tramanda Beach. HA! Lembro que, à noite, tinha medo de encontrar tubarões na praia no outro dia... criança tem cada uma... E, droga, nessa época, provavelmente meu peixe vermelho já não existia mais. Não perguntem que peixe vermelho, oras! Isso é puro fingimento. Todo mundo teve um peixe vermelho que vinha com paradinhas de brincar na areia.
1993
O verão dos meus 13 anos. Não fui para à praia. Fiquei no forno insuportável de Porto Alegre, esperando minhas melhores amigas da época, Natália e Renata, voltarem do Cassino e de Capão da Canoa, respectivamente. HA, lembro que trocava cartas com elas. Cartas! É, internet nem pensar. O lance era os Correios mesmo, e aquelas fichas metálicas de telefone.
1998
Ah... o verão de 98! Decepcionei pessoas, me apaixonei por outras. Fui no Planeta Atlântida e vi um dos últimos shows de Tim Maia antes dele morrer. Voltamos em um grupo, a pé, para a casa da Bia em Atlântida Sul. QUATRO HORAS de caminhada na chuva! Os pais da Bia não gostaram muito, mas enfim, foi tudo beeeeem diver.
2003
Meu primeiro vestibular depois que voltei de Londres e que decidi largar a engenharia de materiais. Não passei, por sorte. Imagina, tinha me inscrito para publicidade. Fora isso, nada memorável, apenas umas cagadas amorosas, ou seja, coisas (des)memoráveis.
2008
Mais um verão a trabalho. Para quê ir pra praia, quando se pode aproveitar a "frescura" e a solitude em Porto Alegre? Esse lance de praia dá micose e mancha a pele, né, Chaveirinho?
Esses memes tem que passar adiante, né? Ah, faz todo mundo aí!
Monday, January 14, 2008
Thursday, December 13, 2007
Você aprendeu as regras: ande dez casas
Voltei a correr. Depois de dois meses parada. A dor pelo corpo é grande, depois de tanto tempo, mas o preço é pouco pela sensação deliciosa da endorfina que bombeia pelo corpo. Ainda mais agora, tão próximo do verão, quando o sol e a brisa quente deixam que a pele se entorpeça deles. É, porque o bom da vida é isso mesmo, o deixar-se entorpecer.
Fazer esportes, evitar frituras e gorduras trans, não beber, não fumar, o que é isso tudo, quando, na verdade, jogamos todos os mesmos jogos de azar e sorte?
Não é sempre que se morre dormindo, como meu avô, que já nem sabia bem quem era, onde estava, quem era sua esposa. Às vezes, acontece assim, meio de sopetão, como meu tio. Um assalto. Um tiro acerta a coluna. Sua sobrevida, por alguns dias, permite que os familiares ainda possam se despedir. Mas como será ter que se despedir da vida? Ter a consciência de que é a hora, mesmo quando se quer ficar? Tem vezes que não dá tempo de dizer tchau. Não dá tempo sequer de tomar conhecimento de que se está indo embora, como meu pai.
Na verdade, o jogo do acaso deve ser encarado mais ou menos como o Jogo da Vida. É, aquele mesmo, que mandava a gente andar casas quando nos formávamos em jornalismo, vê se pode. Não ganha quem termina antes ou depois. Porque terminar não importa. Eu não corro pela boa saúde, eu corro pelo entorpecimento. Eu amo pelo entorpecimento. Eu brinco e rio pelo entorpecimento. Vão me dizer: o prazer é efêmero. E daí? O que não é, se a linha de chegada é imprevisível?
Fazer esportes, evitar frituras e gorduras trans, não beber, não fumar, o que é isso tudo, quando, na verdade, jogamos todos os mesmos jogos de azar e sorte?
Não é sempre que se morre dormindo, como meu avô, que já nem sabia bem quem era, onde estava, quem era sua esposa. Às vezes, acontece assim, meio de sopetão, como meu tio. Um assalto. Um tiro acerta a coluna. Sua sobrevida, por alguns dias, permite que os familiares ainda possam se despedir. Mas como será ter que se despedir da vida? Ter a consciência de que é a hora, mesmo quando se quer ficar? Tem vezes que não dá tempo de dizer tchau. Não dá tempo sequer de tomar conhecimento de que se está indo embora, como meu pai.
Na verdade, o jogo do acaso deve ser encarado mais ou menos como o Jogo da Vida. É, aquele mesmo, que mandava a gente andar casas quando nos formávamos em jornalismo, vê se pode. Não ganha quem termina antes ou depois. Porque terminar não importa. Eu não corro pela boa saúde, eu corro pelo entorpecimento. Eu amo pelo entorpecimento. Eu brinco e rio pelo entorpecimento. Vão me dizer: o prazer é efêmero. E daí? O que não é, se a linha de chegada é imprevisível?
Tuesday, November 13, 2007
Nossa despedida
Tanta coisa que a gente se esforça para lembrar nos mínimos detalhes e, quando a gente vê, a memória vai apagando, como a foto de Marty McFly em De Volta para o Futuro – cada vez que ele olha para ela, tem um detalhe a menos.
Em compensação, tem fatos que não apenas marcam, como também se assemelham a um hipertexto, basta um linkzinho e foi, volta tudo bem nítido, rico em detalhes.
Vou demorar a esquecer o dia em que tive que contar para minha mãe sobre a morte do pai. O desespero dela, o espanto. Ter que segurar o choro, esquecer por milésimos de segundo a própria dor para ser a muleta da pessoa que viveu com ele por 51 anos. Também vai ser longo o tempo para que não fique mais com um certo medo cada vez que toca o telefone no trabalho.
Desde o dia que meu irmão me deu a notícia, por telefone, que eu não veria mais meu pai, sem nem ao menos me despedir, eu faço um esforço enorme para lembrar dos nossos últimos momentos. E tudo parece como os flashbacks de novelas, coberto por névoas. A última lembrança é o cabelinho despenteado parado na frente da porta do meu quarto, como ele fazia todas as manhãs, para conferir se eu não tinha me atrasado.
À cada noite, ficava torcendo para sonhar com ele, vê-lo mais um pouco. Mas eram sempre sonhos bobos, com uma presença nada nítida, em contextos estranhos. Mas também tinha medo de sonhar que era tudo uma mentira e ter que acordar com o que era real.
Então aconteceu o que, mesmo sempre tão cética, quase acredito não ter sido sonho, mas a maneira que ele arranjou para me deixar tranqüila.
Sonhei com ele em uma tarde de domingo. Ele tinha voltado, como se nada tivesse ocorrido. Não tinha mais ninguém, só nós dois. Era ele tipicamente, sem nenhuma atitude diversa, nítido, real, tangível. Então, olhou para mim com aquela expressão de pai orgulhoso que sempre fazia quando me confiava um segredo: "Tu sabe o que aconteceu, né? E que eu preciso ir?". Não podia ficar porque tinha recebido um "cargo" de Deus. Seria seu conselheiro de justiça. Contou-me aquilo com a felicidade de quem tinha agora uma função a sua altura.
Sem perder a oportunidade, perguntei se eu o tinha abraçado e dito o quanto amava suficientemente durante nosso tempo juntos. Ele me abraçou mais uma vez. Bem forte. "Sim, pode ficar tranqüila." O sonho acabou quando o vi ir embora, assumir sua nova e importante missão. A primeira, a de ter deixado um tantão dele em mim e em outros sete, já estava cumprida.
Em compensação, tem fatos que não apenas marcam, como também se assemelham a um hipertexto, basta um linkzinho e foi, volta tudo bem nítido, rico em detalhes.
Vou demorar a esquecer o dia em que tive que contar para minha mãe sobre a morte do pai. O desespero dela, o espanto. Ter que segurar o choro, esquecer por milésimos de segundo a própria dor para ser a muleta da pessoa que viveu com ele por 51 anos. Também vai ser longo o tempo para que não fique mais com um certo medo cada vez que toca o telefone no trabalho.
Desde o dia que meu irmão me deu a notícia, por telefone, que eu não veria mais meu pai, sem nem ao menos me despedir, eu faço um esforço enorme para lembrar dos nossos últimos momentos. E tudo parece como os flashbacks de novelas, coberto por névoas. A última lembrança é o cabelinho despenteado parado na frente da porta do meu quarto, como ele fazia todas as manhãs, para conferir se eu não tinha me atrasado.
À cada noite, ficava torcendo para sonhar com ele, vê-lo mais um pouco. Mas eram sempre sonhos bobos, com uma presença nada nítida, em contextos estranhos. Mas também tinha medo de sonhar que era tudo uma mentira e ter que acordar com o que era real.
Então aconteceu o que, mesmo sempre tão cética, quase acredito não ter sido sonho, mas a maneira que ele arranjou para me deixar tranqüila.
Sonhei com ele em uma tarde de domingo. Ele tinha voltado, como se nada tivesse ocorrido. Não tinha mais ninguém, só nós dois. Era ele tipicamente, sem nenhuma atitude diversa, nítido, real, tangível. Então, olhou para mim com aquela expressão de pai orgulhoso que sempre fazia quando me confiava um segredo: "Tu sabe o que aconteceu, né? E que eu preciso ir?". Não podia ficar porque tinha recebido um "cargo" de Deus. Seria seu conselheiro de justiça. Contou-me aquilo com a felicidade de quem tinha agora uma função a sua altura.
Sem perder a oportunidade, perguntei se eu o tinha abraçado e dito o quanto amava suficientemente durante nosso tempo juntos. Ele me abraçou mais uma vez. Bem forte. "Sim, pode ficar tranqüila." O sonho acabou quando o vi ir embora, assumir sua nova e importante missão. A primeira, a de ter deixado um tantão dele em mim e em outros sete, já estava cumprida.
Wednesday, October 31, 2007
"A ausência é um estar em mim..."
O título é um trecho de um poema do Carlos Drummond de Andrade. Achei-o perfeito para definir a saudade que tem andado comigo, sem descanso...
O beijo na textura da pele já envelhecida de um coração jovem.
O "grunhido" quando eu dava um abraço de quebrar ossos (que eu fazia só para o ouvir o barulhinho simpático, eu confesso).
O peso da mão no meu ombro quando caminhávamos juntos – e toda segurança que isso passava
O "eu te amo" mais completo do mundo. Uma frase pequena, mas sempre coberta de adereços – o olhar caramelo esverdeado cheio de carinho, o sorriso, a simpatia incansável.
O pedido de cafuné e a textura do cabelinho bem liso e grisalho.
As conversas, a inteligência de um homem autodidata que, mesmo sem ter terminado sequer o colégio, falava quatro línguas.
Não há saudade onde não há presença...
O beijo na textura da pele já envelhecida de um coração jovem.
O "grunhido" quando eu dava um abraço de quebrar ossos (que eu fazia só para o ouvir o barulhinho simpático, eu confesso).
O peso da mão no meu ombro quando caminhávamos juntos – e toda segurança que isso passava
O "eu te amo" mais completo do mundo. Uma frase pequena, mas sempre coberta de adereços – o olhar caramelo esverdeado cheio de carinho, o sorriso, a simpatia incansável.
O pedido de cafuné e a textura do cabelinho bem liso e grisalho.
As conversas, a inteligência de um homem autodidata que, mesmo sem ter terminado sequer o colégio, falava quatro línguas.
Não há saudade onde não há presença...
Monday, October 15, 2007
...
- Tu teve mais sorte que aquele ali, ó - aponta o enfermeiro do HPS para um cara em uma maca com o braço sendo todo costurado após um ataque de rottweiller.
O que eu fazia ali? Tava tomando a anti-tetânica por causa de um poodle histérico que resolveu me morder enquanto eu corria pela 24 de Outubro.
O que eu fazia ali? Tava tomando a anti-tetânica por causa de um poodle histérico que resolveu me morder enquanto eu corria pela 24 de Outubro.
Wednesday, October 03, 2007
Wednesday, September 26, 2007
Oscar 2008
E não é que o meia-boquíssima O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer, bateu Tropa de Elite, de José Padilha, na disputa por uma vaga para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro? Isso porque a escolha da estatueta nada tem a ver com o gosto do público, mas com o bando de sexagenários da Academia. Eu, hein!
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